Cresce a população e aumentam as
demandas de atenção à saúde pública
A migração para a construção da nova capital afetou as condições de saúde, que foram relatados pelo dr. Cícero Ferreira em um dos primeiros estudos epidemiológicos sobre Belo Horizonte
A construção da nova capital provocou intensa migração. Em 1895, facilitada pela inauguração do ramal ferroviário que passou a ligar a Estação de General Carneiro ao Rio de Janeiro, e sempre estimulada pelos fartos relatos da salubridade da planície do Rio das Velhas que se estendia desde a Serra do Curral, a população de dois mil habitantes (em 1890) passou a 13 mil pessoas, sete anos após, quando é inaugurada a Cidade de Minas. O canteiro de obras da nova capital atraiu milhares de operários que, em bom número, fixaram-se fora dos limites da Avenida do Contorno.
O médico Cícero Ferreira, também formado no Rio de Janeiro, assumiu cargo de médico da Comissão Construtora em meio a ameaças à saúde pública (como o surto de varíola). Isso o levou a determinar a construção de um lazareto (onde hoje fica o bairro Calafate), vacinar a população e adotar medidas de higienização.
Ele foi o autor do “Relatório de Estatística Demographo Sanitária de Belo Horizonte”, no qual apresentou dados que alertavam sobre as condições de saúde e adoecimento na nova capital, um dos primeiros estudos epidemiológicos sobre BH.