O surgimento das Santas Casas no Brasil
Imagem 1 (1)
A extinta Santa Casa de Olinda funcionou anexa à Igreja
da Misericórdia e foi inaugurada na primeira metade dos anos 1500
(Acervo: Prefeitura de Olinda)

Inspiradas pela Irmandade da Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia, fundada no final dos anos 1400 em Portugal pela rainha Leonor Lencastre, as primeiras Santas Casas do Brasil foram instaladas em povoados e vilas ao longo do litoral brasileiro nas primeiras décadas após o descobrimento por Pedro Álvares Cabral, em 1500. Surgiram em São Vicente/SP, Salvador e Ilhéus/BA, Olinda/PE e, por fim, no Rio de Janeiro, em 1582. As principais doenças epidêmicas do “Novo Mundo” incluíam varíola, sarampo, sífilis, peste bubônica, tifo, dentre outras.

As Santas Casas de Minas
Imagem 2
Paço da Misericórdia, em foto de 1920. A Santa Casa de Ouro Preto atende desde 1735
(Acervo: Arquivo histórico)

As Santas Casas de Misericórdia começaram a ser instaladas em Minas Gerais nos anos 1700. A primeira delas surgiu em Vila Rica, em 1735, sendo seguida pela de São João Del Rei, em 1783. No século seguinte, várias foram inauguradas. Atraídos pela mineração do ouro e das pedras preciosas, os habitantes da Capitania de Minas Gerais haviam aumentado em dez vezes nos anos 1700. Oprimida pela escravidão, cerca de 80% da população mineira era formada por negros ou mulatos (pardos), por volta de 1780. As Santas Casas de Misericórdia tornaram-se, desde então, verdadeiras referências assistenciais para essa gente das Minas.

Nasce a nova capital de Minas Gerais
imagem 3
Planta da nova capital, em que se pode ler também o nome “Cidade de Minas
(Acervo: Acervo Museu Histórico Abílio Barreto / Fundação Municipal de Cultura)

Recebida suas sesmarias, o bandeirante paulista João Leite da Silva Ortiz fundou em 1701, a “Fazenda do Cercado”. O local recebeu o nome de “Arraial do Curral del-Rei” e depois foi elevado à “Freguesia de Nossa Senhora da Boa Viagem do Curral del-Rei”, pertencente ao município de Sabará. Com a Proclamação da República em 1889, surge a denominação de “Arraial de Bello Horisonte”.

A construção de BH surgiu como oportunidade para
os trabalhadores recém-libertos da escravidão
imagem 8
Trabalhadores realizam obras em Belo Horizonte, nos anos 1920
(Acervo: Arquivo Público Mineiro)

Apenas nove anos separam a Abolição da Escravatura em 1888 da inauguração da nova capital de Minas, em 1897.  Segundo a tese da doutora em Arquitetura e Urbanismo pela UFMG, Priscila Mesquita Musa, para a população negra, a construção da nova capital surgiu “não apenas como uma oportunidade de trabalho, mas de libertação, uma possibilidade de construir a vida longe de seus ‘ex-senhores’ e suas propriedades”.

A fundação da Santa Casa BH
imagem 11
O “Hospital-Barraca” atendeu a população de 13 mil
habitantes da recém-inaugurada capital mineira
(Acervo: Arquivo Público Mineiro)

Dentre os edifícios civilizatórios da nova capital, faltava um a ser erguido. A cidade que nasceu para o século XX, decidiu-se, não se faria moderna sem os alicerces da solidariedade.

“Hospital-Barraca”
1899
imagem 13
Olinto dos Reis Meirelles (à esq) e Virgínio Bhering foram
dois dos médicos que atenderam no “Hospital-Barraca”
(Acervo: Academia Mineira de Medicina e Arquivo Público Mineiro)

A cidade clamava por atendimento. Dados epidemiológicos mostram que as doenças com maior prevalência no ano de inauguração da nova capital eram as doenças infecto-parasitárias – a gastroenterite infecciosa era a primeira causa de óbitos.

Entregues à população as edificações que criaram a primeira estrutura assistencial da “Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte”
1901
imagem 14
Imagem do Pavilhão Central da Santa Casa BH
(Acervo: Arquivo Público Mineiro)

Em 3 de fevereiro de 1901, os tão aguardados Pavilhão Central e a Primeira Enfermaria da Santa Casa BH foram inaugurados. Construídos por José Verdussen, ao preço de 35 contos de reis, o nome da enfermaria veio em homenagem ao empresário e comerciante Emydgio Germano, segundo provedor da Santa Casa BH.

Novos pavilhões oferecem serviços assistenciais para atender às necessidades de saúde da população e em melhores acomodações
1910
imagem 17
Novas enfermarias destinadas a homens e mulheres compõem o conjunto de serviços assistenciais inaugurados na fase de estruturação da Santa Casa
(Acervo: Arquivo Público Mineiro)

Os Pavilhões “Hugo Werneck” e “Wenceslau Braz” foram entregues em 1910, em solenidade que contou com a presença do Presidente do Estado de Minas Gerais.

Santa Casa inicia o acolhimento aos idosos
1910 a 1915
imagem 19
Atividade festiva no IGAP
(Acervo CMMH – sem data)

Em 1912, com uma população superior a pouco mais de 34 mil habitantes, segundo o Anuário Estatístico do Brasil (1908-1912), Belo Horizonte começa a receber considerável população migrante. Pessoas vindas de todo lugar, em busca de melhores condições de vida, muitas das quais, infelizmente, sem condição financeira ou amparo familiar, tornam-se “indigentes”, como era designado naquela época.

Belo Horizonte faz-se mais moderna a cada dia
1897 a 1920
imagem 20
Estacão de bonde na Avenida Afonso Pena
(Acervo: Arquivo Público Mineiro)

As obras na recém-inaugurada cidade não cessam. Projetada para abrigar uma população de 400 mil habitantes, Belo Horizonte ganha a cada dia novos contornos de prédios arrojados e logradouros públicos, além de infraestrutura de água e saneamento urbano, fazendo jus aos planos de capital planejada para abrigar a modernidade do século XX, ainda em seus albores.

O legado de realizações da gestão do
provedor Hugo Werneck e de uma geração de pioneiros
1916 a 1937
imagem 28
O reconhecimento ao legado do dr. Hugo Werneck pode ser mensurado pela presença de diversas lideranças da sociedade mineira por ocasião da inauguração da praça construída em sua homenagem, no encontro das atuais Avenidas Francisco Sales e Alfredo Balena – em frente à Santa Casa BH
(Acervo: CMMHS)

O processo de contínua modernização assistencial e hospitalar da Santa Casa BH, consoante com a evolução da capital, encontrou um suporte extraordinário durante a gestão de Hugo Werneck (1916-1925), único médico que se tornou provedor.

Uma capital aberta ao progresso
1920 a 1960
imagem 39
A Praça Raul Soares marca o centro de Belo Horizonte
(Acervo: CMMHS e Arquivo Público Mineiro)

O modelo de cidades planificadas, de influência francesa, foi referência para o projeto de Belo Horizonte. Com o passar dos anos, novas vias iam sendo abertas, rios sendo canalizados e erguidos os mais marcantes logradouros públicos – tudo isso fez com que a Belo Horizonte da primeira metade dos anos 1900 assumisse feições de uma capital preparada para receber o progresso que chegava cada vez mais rápido.

A construção do Hospital Central transforma definitivamente a paisagem da Santa Casa BH durante a “Era Alckmin”
1938 a 1974
imagem 46
Primeira estaca do Hospital Central
(Acervo: CMMHS e Arquivo Público Mineiro)

Nascido em Diamantina em 1901, o advogado e político José Maria Alkmin teve a mais extensa gestão à frente da Provedoria da Santa Casa BH, marcada, principalmente, pela construção da atual Santa Casa BH Hospital de Alta Complexidade 100% SUS. Alkmin também registra outras conquistas muito relevantes.

A Belô do nossos dias
1980 ao início dos anos 2000
1
As linhas modernas em contraste com o estilo neoclássico na Praça da Liberdade
(Acervo: CMMHS e Arquivo Público Mineiro)

A partir de meados dos anos 1950, a capital mineira recebeu edifícios que se tornaram referência estética e marcaram a vida da cidade, como o Edifício Niemeyer na Praça da Liberdade e o Conjunto Arcangelo Maletta, tradicional local de encontro de escritores, artistas, intelectuais e boêmios.

O Gigante da Pampulha nasceu em 1965. O “Mineirão” (Estádio Governador Magalhães Pinto) foi palco dos mais emocionantes jogos e também espaço para grandes e promoções culturais.

Com cada vez mais tecnologia, a Santa Casa BH amplia a assistência ao SUS e oferece “Saúde de ponta para todos”
De 1980 aos anos 2000
9.2
(Acervo: Ascom SCBH)

A tecnologia promove avanços notáveis no campo das ciências em saúde. A biotecnologia, diagnóstico por imagem e medicina nuclear serão cada vez mais presentes para os desafios da prevenção, diagnóstico e dos processos terapêuticos.

Santa Casa BH foi decisiva para milhares de
vidas serem salvas na pandemia de Covid-19
2020 a 2023
4
Peças da campanha “Batalha pela Vida”, premiada pela Aberje
(Acervo: Ascom SCBH)

Em abril de 2020, menos de quatro meses depois da Organização Mundial de Saúde decretar Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional pela pandemia de Covid-19, o Diretor Jurídico de Governança e Planejamento da Santa Casa BH, João Costa Aguiar Filho, com a colaboração de um grupo de profissionais de saúde, publicou o artigo “Belo Horizonte no caminho certo do enfrentamento ao novo Coronavírus”, demonstrando que a Taxa de Letalidade por Covid-19 em BH (número de óbitos dividido pelos total de casos confirmados) era de 2%, três vezes menor do que o mesmo indicador em nível nacional (6,4%), naquele período.

Um incêndio que comoveu os mineiros
2022
1
Daiana Gonçalves Dias e Warllen Dias agradecem ao médico Ícaro Melo e à técnica de enfermagem Minervina Vieira que realizaram o parto da filha Ana Vitória durante a evacuação da Santa Casa BH em 27 de junho de 2022
(Foto: Saulo Vieira/TV Globo)

Um incêndio iniciado na Ala B do 10º andar da Santa Casa BH, por volta das 20h do dia 27 de junho de 2022, comoveu e mobilizou a sociedade mineira.

O fogo atingiu o Centro de Terapia Intensiva e forçou a evacuação de 950 pacientes que estavam internados na Santa Casa BH Hospital de Alta Complexidade 100% SUS. O incêndio foi provocado por um vazamento na tubulação de oxigênio, que é altamente inflamável.

Santa Casa BH alcança a marca de 100 transplantes cardíacos realizados
2023
1
Primeiro transplante recebido por Valter
(Acervo: Ascom SCBH)

A Santa Casa BH Hospital de Alta Complexidade 100% SUS alcançou a marca de 100 transplantes de coração realizados. O primeiro coração transplantado foi recebido por José Valter Ferreira, então com 64 anos, em janeiro de 2019. Laudicélio de Paula Marques, de 60 anos, foi o centésimo transplantado cardíaco pela Santa Casa BH. Ambos os procedimentos foram realizados com êxito e os pacientes evoluíram para alta após a permanência no Centro de Terapia Intensiva.

Com cada vez mais tecnologia, a Santa Casa BH amplia a assistência ao SUS e oferece “Saúde de ponta para todos”
De 1980 aos anos 2000
9.2
(Acervo: Ascom SCBH)

A tecnologia promove avanços notáveis no campo das ciências em saúde. A biotecnologia, diagnóstico por imagem e medicina nuclear serão cada vez mais presentes para os desafios da prevenção, diagnóstico e dos processos terapêuticos.

A construção do Hospital Central transforma definitivamente a paisagem da Santa Casa BH durante a “Era Alckmin”
1938 a 1974
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Primeira estaca do Hospital Central
(Acervo: CMMHS e Arquivo Público Mineiro)

Nascido em Diamantina em 1901, o advogado e político José Maria Alkmin teve a mais extensa gestão à frente da Provedoria da Santa Casa BH, marcada, principalmente, pela construção da atual Santa Casa BH Hospital de Alta Complexidade 100% SUS. Alkmin também registra outras conquistas muito relevantes.

A Belô do nossos dias
1980 ao início dos anos 2000
1
As linhas modernas em contraste com o estilo neoclássico na Praça da Liberdade
(Acervo: CMMHS e Arquivo Público Mineiro)

A partir de meados dos anos 1950, a capital mineira recebeu edifícios que se tornaram referência estética e marcaram a vida da cidade, como o Edifício Niemeyer na Praça da Liberdade e o Conjunto Arcangelo Maletta, tradicional local de encontro de escritores, artistas, intelectuais e boêmios.

O Gigante da Pampulha nasceu em 1965. O “Mineirão” (Estádio Governador Magalhães Pinto) foi palco dos mais emocionantes jogos e também espaço para grandes e promoções culturais.

Santa Casa BH foi decisiva para milhares de
vidas serem salvas na pandemia de Covid-19
2020 a 2023
4
Peças da campanha “Batalha pela Vida”, premiada pela Aberje
(Acervo: Ascom SCBH)

Em abril de 2020, menos de quatro meses depois da Organização Mundial de Saúde decretar Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional pela pandemia de Covid-19, o Diretor Jurídico de Governança e Planejamento da Santa Casa BH, João Costa Aguiar Filho, com a colaboração de um grupo de profissionais de saúde, publicou o artigo “Belo Horizonte no caminho certo do enfrentamento ao novo Coronavírus”, demonstrando que a Taxa de Letalidade por Covid-19 em BH (número de óbitos dividido pelos total de casos confirmados) era de 2%, três vezes menor do que o mesmo indicador em nível nacional (6,4%), naquele período.

Uma capital aberta ao progresso
1920 a 1960
imagem 39
A Praça Raul Soares marca o centro de Belo Horizonte
(Acervo: CMMHS e Arquivo Público Mineiro)

O modelo de cidades planificadas, de influência francesa, foi referência para o projeto de Belo Horizonte. Com o passar dos anos, novas vias iam sendo abertas, rios sendo canalizados e erguidos os mais marcantes logradouros públicos – tudo isso fez com que a Belo Horizonte da primeira metade dos anos 1900 assumisse feições de uma capital preparada para receber o progresso que chegava cada vez mais rápido.

Um incêndio que comoveu os mineiros
2022
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Daiana Gonçalves Dias e Warllen Dias agradecem ao médico Ícaro Melo e à técnica de enfermagem Minervina Vieira que realizaram o parto da filha Ana Vitória durante a evacuação da Santa Casa BH em 27 de junho de 2022
(Foto: Saulo Vieira/TV Globo)

Um incêndio iniciado na Ala B do 10º andar da Santa Casa BH, por volta das 20h do dia 27 de junho de 2022, comoveu e mobilizou a sociedade mineira.

O fogo atingiu o Centro de Terapia Intensiva e forçou a evacuação de 950 pacientes que estavam internados na Santa Casa BH Hospital de Alta Complexidade 100% SUS. O incêndio foi provocado por um vazamento na tubulação de oxigênio, que é altamente inflamável.

Santa Casa BH alcança a marca de 100 transplantes cardíacos realizados
2023
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Primeiro transplante recebido por Valter
(Acervo: Ascom SCBH)

A Santa Casa BH Hospital de Alta Complexidade 100% SUS alcançou a marca de 100 transplantes de coração realizados. O primeiro coração transplantado foi recebido por José Valter Ferreira, então com 64 anos, em janeiro de 2019. Laudicélio de Paula Marques, de 60 anos, foi o centésimo transplantado cardíaco pela Santa Casa BH. Ambos os procedimentos foram realizados com êxito e os pacientes evoluíram para alta após a permanência no Centro de Terapia Intensiva.

O legado de realizações da gestão do
provedor Hugo Werneck e de uma geração de pioneiros
1916 a 1937
imagem 28
O reconhecimento ao legado do dr. Hugo Werneck pode ser mensurado pela presença de diversas lideranças da sociedade mineira por ocasião da inauguração da praça construída em sua homenagem, no encontro das atuais Avenidas Francisco Sales e Alfredo Balena – em frente à Santa Casa BH
(Acervo: CMMHS)

O processo de contínua modernização assistencial e hospitalar da Santa Casa BH, consoante com a evolução da capital, encontrou um suporte extraordinário durante a gestão de Hugo Werneck (1916-1925), único médico que se tornou provedor.

Belo Horizonte faz-se mais moderna a cada dia
1897 a 1920
imagem 20
Estacão de bonde na Avenida Afonso Pena
(Acervo: Arquivo Público Mineiro)

As obras na recém-inaugurada cidade não cessam. Projetada para abrigar uma população de 400 mil habitantes, Belo Horizonte ganha a cada dia novos contornos de prédios arrojados e logradouros públicos, além de infraestrutura de água e saneamento urbano, fazendo jus aos planos de capital planejada para abrigar a modernidade do século XX, ainda em seus albores.

Santa Casa inicia o acolhimento aos idosos
1910 a 1915
imagem 19
Atividade festiva no IGAP
(Acervo CMMH – sem data)

Em 1912, com uma população superior a pouco mais de 34 mil habitantes, segundo o Anuário Estatístico do Brasil (1908-1912), Belo Horizonte começa a receber considerável população migrante. Pessoas vindas de todo lugar, em busca de melhores condições de vida, muitas das quais, infelizmente, sem condição financeira ou amparo familiar, tornam-se “indigentes”, como era designado naquela época.

Novos pavilhões oferecem serviços assistenciais para atender às necessidades de saúde da população e em melhores acomodações
1910
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Novas enfermarias destinadas a homens e mulheres compõem o conjunto de serviços assistenciais inaugurados na fase de estruturação da Santa Casa
(Acervo: Arquivo Público Mineiro)

Os Pavilhões “Hugo Werneck” e “Wenceslau Braz” foram entregues em 1910, em solenidade que contou com a presença do Presidente do Estado de Minas Gerais.

Entregues à população as edificações que criaram a primeira estrutura assistencial da “Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte”
1901
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Imagem do Pavilhão Central da Santa Casa BH
(Acervo: Arquivo Público Mineiro)

Em 3 de fevereiro de 1901, os tão aguardados Pavilhão Central e a Primeira Enfermaria da Santa Casa BH foram inaugurados. Construídos por José Verdussen, ao preço de 35 contos de reis, o nome da enfermaria veio em homenagem ao empresário e comerciante Emydgio Germano, segundo provedor da Santa Casa BH.

“Hospital-Barraca”
1899
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Olinto dos Reis Meirelles (à esq) e Virgínio Bhering foram
dois dos médicos que atenderam no “Hospital-Barraca”
(Acervo: Academia Mineira de Medicina e Arquivo Público Mineiro)

A cidade clamava por atendimento. Dados epidemiológicos mostram que as doenças com maior prevalência no ano de inauguração da nova capital eram as doenças infecto-parasitárias – a gastroenterite infecciosa era a primeira causa de óbitos.

A fundação da Santa Casa BH
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O “Hospital-Barraca” atendeu a população de 13 mil
habitantes da recém-inaugurada capital mineira
(Acervo: Arquivo Público Mineiro)

Dentre os edifícios civilizatórios da nova capital, faltava um a ser erguido. A cidade que nasceu para o século XX, decidiu-se, não se faria moderna sem os alicerces da solidariedade.

A construção de BH surgiu como oportunidade para
os trabalhadores recém-libertos da escravidão
imagem 8
Trabalhadores realizam obras em Belo Horizonte, nos anos 1920
(Acervo: Arquivo Público Mineiro)

Apenas nove anos separam a Abolição da Escravatura em 1888 da inauguração da nova capital de Minas, em 1897.  Segundo a tese da doutora em Arquitetura e Urbanismo pela UFMG, Priscila Mesquita Musa, para a população negra, a construção da nova capital surgiu “não apenas como uma oportunidade de trabalho, mas de libertação, uma possibilidade de construir a vida longe de seus ‘ex-senhores’ e suas propriedades”.

Nasce a nova capital de Minas Gerais
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Planta da nova capital, em que se pode ler também o nome “Cidade de Minas
(Acervo: Acervo Museu Histórico Abílio Barreto / Fundação Municipal de Cultura)

Recebida suas sesmarias, o bandeirante paulista João Leite da Silva Ortiz fundou em 1701, a “Fazenda do Cercado”. O local recebeu o nome de “Arraial do Curral del-Rei” e depois foi elevado à “Freguesia de Nossa Senhora da Boa Viagem do Curral del-Rei”, pertencente ao município de Sabará. Com a Proclamação da República em 1889, surge a denominação de “Arraial de Bello Horisonte”.

As Santas Casas de Minas
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Paço da Misericórdia, em foto de 1920. A Santa Casa de Ouro Preto atende desde 1735
(Acervo: Arquivo histórico)

As Santas Casas de Misericórdia começaram a ser instaladas em Minas Gerais nos anos 1700. A primeira delas surgiu em Vila Rica, em 1735, sendo seguida pela de São João Del Rei, em 1783. No século seguinte, várias foram inauguradas. Atraídos pela mineração do ouro e das pedras preciosas, os habitantes da Capitania de Minas Gerais haviam aumentado em dez vezes nos anos 1700. Oprimida pela escravidão, cerca de 80% da população mineira era formada por negros ou mulatos (pardos), por volta de 1780. As Santas Casas de Misericórdia tornaram-se, desde então, verdadeiras referências assistenciais para essa gente das Minas.

O surgimento das Santas Casas no Brasil
Imagem 1 (1)
A extinta Santa Casa de Olinda funcionou anexa à Igreja
da Misericórdia e foi inaugurada na primeira metade dos anos 1500
(Acervo: Prefeitura de Olinda)

Inspiradas pela Irmandade da Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia, fundada no final dos anos 1400 em Portugal pela rainha Leonor Lencastre, as primeiras Santas Casas do Brasil foram instaladas em povoados e vilas ao longo do litoral brasileiro nas primeiras décadas após o descobrimento por Pedro Álvares Cabral, em 1500. Surgiram em São Vicente/SP, Salvador e Ilhéus/BA, Olinda/PE e, por fim, no Rio de Janeiro, em 1582. As principais doenças epidêmicas do “Novo Mundo” incluíam varíola, sarampo, sífilis, peste bubônica, tifo, dentre outras.

Com cada vez mais tecnologia, a Santa Casa BH amplia a assistência ao SUS e oferece “Saúde de ponta para todos”
De 1980 aos anos 2000
9.2
(Acervo: Ascom SCBH)

A tecnologia promove avanços notáveis no campo das ciências em saúde. A biotecnologia, diagnóstico por imagem e medicina nuclear serão cada vez mais presentes para os desafios da prevenção, diagnóstico e dos processos terapêuticos.

A construção do Hospital Central transforma definitivamente a paisagem da Santa Casa BH durante a “Era Alckmin”
1938 a 1974
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Primeira estaca do Hospital Central
(Acervo: CMMHS e Arquivo Público Mineiro)

Nascido em Diamantina em 1901, o advogado e político José Maria Alkmin teve a mais extensa gestão à frente da Provedoria da Santa Casa BH, marcada, principalmente, pela construção da atual Santa Casa BH Hospital de Alta Complexidade 100% SUS. Alkmin também registra outras conquistas muito relevantes.

A Belô do nossos dias
1980 ao início dos anos 2000
1
As linhas modernas em contraste com o estilo neoclássico na Praça da Liberdade
(Acervo: CMMHS e Arquivo Público Mineiro)

A partir de meados dos anos 1950, a capital mineira recebeu edifícios que se tornaram referência estética e marcaram a vida da cidade, como o Edifício Niemeyer na Praça da Liberdade e o Conjunto Arcangelo Maletta, tradicional local de encontro de escritores, artistas, intelectuais e boêmios.

O Gigante da Pampulha nasceu em 1965. O “Mineirão” (Estádio Governador Magalhães Pinto) foi palco dos mais emocionantes jogos e também espaço para grandes e promoções culturais.

Santa Casa BH foi decisiva para milhares de
vidas serem salvas na pandemia de Covid-19
2020 a 2023
4
Peças da campanha “Batalha pela Vida”, premiada pela Aberje
(Acervo: Ascom SCBH)

Em abril de 2020, menos de quatro meses depois da Organização Mundial de Saúde decretar Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional pela pandemia de Covid-19, o Diretor Jurídico de Governança e Planejamento da Santa Casa BH, João Costa Aguiar Filho, com a colaboração de um grupo de profissionais de saúde, publicou o artigo “Belo Horizonte no caminho certo do enfrentamento ao novo Coronavírus”, demonstrando que a Taxa de Letalidade por Covid-19 em BH (número de óbitos dividido pelos total de casos confirmados) era de 2%, três vezes menor do que o mesmo indicador em nível nacional (6,4%), naquele período.

Uma capital aberta ao progresso
1920 a 1960
imagem 39
A Praça Raul Soares marca o centro de Belo Horizonte
(Acervo: CMMHS e Arquivo Público Mineiro)

O modelo de cidades planificadas, de influência francesa, foi referência para o projeto de Belo Horizonte. Com o passar dos anos, novas vias iam sendo abertas, rios sendo canalizados e erguidos os mais marcantes logradouros públicos – tudo isso fez com que a Belo Horizonte da primeira metade dos anos 1900 assumisse feições de uma capital preparada para receber o progresso que chegava cada vez mais rápido.

Um incêndio que comoveu os mineiros
2022
1
Daiana Gonçalves Dias e Warllen Dias agradecem ao médico Ícaro Melo e à técnica de enfermagem Minervina Vieira que realizaram o parto da filha Ana Vitória durante a evacuação da Santa Casa BH em 27 de junho de 2022
(Foto: Saulo Vieira/TV Globo)

Um incêndio iniciado na Ala B do 10º andar da Santa Casa BH, por volta das 20h do dia 27 de junho de 2022, comoveu e mobilizou a sociedade mineira.

O fogo atingiu o Centro de Terapia Intensiva e forçou a evacuação de 950 pacientes que estavam internados na Santa Casa BH Hospital de Alta Complexidade 100% SUS. O incêndio foi provocado por um vazamento na tubulação de oxigênio, que é altamente inflamável.